rasuras

9 meses de duos poéticos

URDiDURA Abril 14, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:30 am

a boca é

chama

e teus seios planejam um ataque

(Mario Cezar)

 

da série: ONDE É O HORIZONTE? Março 13, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:24 pm

sempre parto. sem a noção do porto

(Mario Cezar)

 

BAFEJO Março 10, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:05 pm

a palavra aceita os vestígios do sal. como um nervo , respira. para teu olho , a claridade é tão distante

(Mario Cezar)

 

BATISMO Março 6, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:55 pm

perseguir o poema. clarão que consente o vôo.
nascente de carnes (sob a mordaça)

(Mario Cezar)

 

DIÁLOGO Março 5, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 6:48 pm

acato teus murmúrios (viu) morena ungida no orvalho das laranjas. Leve para o fundo do mar esta penca de angústia e traga um caçuá de pérolas dignficando o poema ou quem sabe um repentino sentimento de flor

(Maria Cezar)

 

PEREGRINAÇÃO Fevereiro 28, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:26 pm

ergueu-se da cama como pássaro. pacífico. primeira atitude: descerrar o antigo clamor das lágrimas

(Mario Cezar)

 

RESMUNGOS Fevereiro 25, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:07 pm

toma este
aboio.
                (calejado)

aceite o orvalho original

(Mario Cezar)

 

ARENGA Fevereiro 23, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:32 pm

a carne

                        , de tão reclusa,

inventou-se

(Mario Cezar)

 

MAIS ALéM Fevereiro 19, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 11:33 pm

aloGalo 

 

a manhã não depende de palavras

(Mario Cezar)

 

BERADA Fevereiro 17, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:37 pm

aqui é o sertão. inteiro. brabo. as crianças ainda brincam nos terreiros. no rio daqui a água acolhe os peixes. o vento espanta o eco dos aflitos, dos deserdados. as meninas morenas. lúdicas. sorriem por inteiro. será engano? seus peitos reluzem, como flor andaluz. de longe me acenam com seu riso ardente. com seus olhos de passarinhos clandestinos. assisto a tudo e me vejo . na infãncia que remôo. os campinhos da beira do rio foram soterrados. sofro depenado , perdi a função do vôo? restam-me os pés de tamarimndas. a altivez dos muçambês. a lembrança do beijo (roubado na esquina do mercado velho). sou grato aos adventos que formaram meus ossos. me deram a combustão das coivaras. minha pele, incrustrada de piçarra lideram os sonhos de uma pátria fraterna. sorrio como maneira de resistir à avalanche do latifúndio. a vida é nesse instante

(Mario Cezar)

 

LIÇÃO Fevereiro 13, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:35 pm

como ficar indiferente?

teu peito rente
a fome
do dente

 

(Mario Cezar)

 

MORMAÇO Fevereiro 8, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:04 pm

falo da seca, requisitando covas.

o tamanho do corpo não tem importãncia

(Mario Cezar)

 

de Pemba Fevereiro 5, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:15 pm

(…) despertou

com flores no monturo.

o pássaro entendeu o recado

(Mario Cezar)

 

FACHO Fevereiro 2, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 11:50 pm

nos quintais de icó, a cascavel-de-quatro-ventas virava rodilha  com o consentimento do veneno.            guizo enfezado. bote armado.     ali

                                         , sob o mormaço,    assisti a próxima insônia

                                                                         como um menino calado

(Mario Cezar)

 

MANTra Janeiro 31, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 6:27 pm

rezou a noite
inteira

       .                 era o próprio medo

   

(Mario Cezar)

 

de erótico Janeiro 17, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:41 pm

E . N . T . R . E - ANA PELUSO 

E . N . T . R . E - mouse s/ tela de Ana Peluso, 2003

                                               

                                               

e os seios ali
.
querendo um batismo
                                    indecifrável

anular toda castidade

(Mario Cezar)

 

ICÓ Janeiro 13, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:16 pm

de agora em diante
batizo teu mapa de flor
                                  acuada

(Mario Cezar)

 

MURMÚRIO Janeiro 10, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:57 pm

teu olho
é claridade

                  feito
                  terra
                  (onde reino)

(Mario Cezar)

 

até Janeiro 9, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:10 pm

todo
olho
é
um precipício

(ninguém mede o orvalho)

(Mario Cezar)

 

porto Janeiro 8, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:01 pm

nas frestas do teu peito
, ainda ,
cabe o meu consolo

(Mario Cezar)

 

de casar Janeiro 5, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:06 pm

fui me construindo
por cima de pau e pedra
e
continuo com os olhos arregalados
( e com uma faca  insone )

(Mario Cezar)

 

de fogo Janeiro 3, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:16 pm

florir-se

(até no asfalto)

(Mario Cezar)

 

2007 Janeiro 1, 2007

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:27 pm

não renove  as feridas

(Mario Cezar)

 

instrumentais de estamira Dezembro 30, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:31 am

os caninanos. tudim atropelado. o barro do coração fica maltrapilho nas veredas onde a solidão intusmece a dor e eu fico irmanado com os mais deserdados

(Mario Cezar)

 

faísca Dezembro 29, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:04 pm

a carne
é juramento de
verdades

(Mario Cezar)

 

alarme Dezembro 28, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 1:29 am

cuidado

.

carrego

o rancor

dos

insones

(Mario Cezar)

 

ADJuTÓRio Dezembro 22, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:13 pm

é prece.
             livre porque
             é parte da luz.
 
             é bença
             
o perfume
não quer pressa

(Mario Cezar)

 

ACOiTADOS Dezembro 20, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:45 pm

a estrada que liga o esquartejado município de jati  a desconjurada icó é tão comprida como um agouro sem pátria.                         transporta a grande fadiga dos retirantes         ou romeiros        ou penitentes.        se preferir, miseráveis  calcinados de pus                  no roteiro surgem tantos casebres carcomidos de incertezas               tantos meninos de costelas expostas  sob as asas calorentas do sol                 ( até a alma fica puída)

(Mario Cezar)

 

ENGASGO Dezembro 19, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:43 pm

inútil. como carta extraviada

(Mario Cezar)

 

aTrEvImENtO Dezembro 18, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:33 pm

e palavra a palavra
não aceito a inquisição
do veneno
roendo
                  o calor do abraço

(Mario Cezar)

 

Eu. Dezembro 16, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:59 pm

não tenho
recursos
           para me
           explicar
 
           sou errante
           (como um sentimento acuado)

(Mario Cezar)

 

DESENGASGO Dezembro 15, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:37 pm

arrancar
o   asfalto
 
o chão é anterior

(Mario Cezar)

 

de TÚNICA Dezembro 13, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:15 pm

quem é esta
             carne
             ?
brasa inteiriça, de
tão alumiosa
 
facho de fêmea
é floreio          (no deserto da boca)
 
como despir a jade?

(Mario Cezar)

 

para uma CABROCHA (vivente do SERTÃO) Dezembro 11, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:38 pm

ei:                 me arranca
                     dos
                     escombros

(Mario Cezar)

 

PERsPECTIva Dezembro 9, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:39 am

a flor
    , também,
contempla
veneno

(Mario Cezar)

 

de EXÍLIOS Dezembro 8, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:34 pm

como descrever o ceará? . como dizer da terra  luminosa?
                                 relincho
                                 de  saudade
ergo o teu nome
de flor descamada.
                                   tal distância.
                                   tal desamparo
                                       (eis uma lágrima , que mutila)

(Mario Cezar)

 

ALARIDOS para ESPERAR a próxima SECA Dezembro 7, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:01 pm

bendito   milagre   capela
romaria   vela   procissão
lapinha   devoto   sentinela
ladainha  batismo   oração

(Mario Cezar)

 

antes, dê-me a mão Dezembro 6, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 4:12 am

use a brasa de  teus seios
                - arfantes - 
o fervor de tua bendita boca
                    - órfã -
use a carícia de teus cabelos
                       - sonoros -
 
 e que sempre requisitei.

(Mario Cezar)

 

DESCABACEIRA Dezembro 5, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 6:24 pm

por longas horas permaneceu cabisbaixa. roída (para sempre?) no batente da porta sem tramela.              os pensamentos eram aguaceiros barrentos.          até quando?                  tudo era inclemente  como a mentira do inverno.   esperança era ave de arribação.                 os homens daquela vila não passavam de trastes andantes e sua buceta não era cacimba para dar guarida aos roncos de qualquer um

(Mario Cezar)

 

DESERANÇA Dezembro 4, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:23 pm

sim . o olho é um porto peregrino. uma perdição. nenhum mapa alcança . tremula feito vento  que desertou.
                           quer uma bença.          uma reza nova.          quer desbastar todas as tiranias impostas pelo pai (e a pátria referendou) em nome de que?.
                                 quer ir embora.            como a água das goteiras

(Mario Cezar)

 

de lonjuras Novembro 29, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 4:43 pm

acordei
com  tua voz
                     , ainda retendo
                                 dores.
 
vamos. não esconda
a primavera.
não esconda o diamante
                                      que me conduz.

(Mario Cezar)

 

SEGUNDA NOVENA Novembro 28, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:16 pm

tinha um sorriso
               fugidio
. diluído na tarde
de  soluços.
 
como escapar da
ressureição dos
                           punhais ?

(Mario Cezar)

 

do inesgotável Novembro 27, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:59 pm

a sede
é um labirinto
                (sem pote)

 

(Mario Cezar)

 

onde Novembro 27, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:34 am

(…) outrora
                    reli
o regimento das
conchas marinhas

(Mario Cezar)

 

Rubro Novembro 26, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:04 am

é teu sangue
 
( viagem
de
precipícios )

(Mario Cezar)

 

De fluorescências estelares Novembro 25, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:56 am

sim anaLuísa: tem uma seleção de dores. e todos os estilhaços atados a saliva. sim ana; tem o desencanto que o asfalto crava (sem pedir perdão) é bem verdade. tem também a bença do arco-íris, o estalo da longínqua estrela varando teu coração machucado. tem a essência dos córregos a palpitar em teu peito de fêmea-alada. sim anaLuísa; tem tantos sabores impregnando a curvatura do teu olho (que em mim é lonjura) ao dizer : somos da mesma sílaba, é porque tem o verde sonho das auroras, tem o frescor do barro (e sua distância matinal) tem o febril encontro das formigas , com seus mapas de terra luminosa. sim anaLuísa. perceber o rubi que gravita , mesmo entre calos e machucações. perceber o fomento da primavera ou nossa cegueira está posta , de modo que não vemos o cheiro da madeira. sim anaLuísa, é bem verdade, não é fácil perceber a atitude das estrelas . somos o peso do asfalto? somos parte da terra mal vista? cadê nosso riso? o diagnóstico de nossa infância (encontrávamos todos os pássaros) por que perdemos a cantoria dos rios? onde foi parar o estalo dos jasmins (que vestiam nossas línguas) olhe (cabra) tal escrito foi sob a tutela de um chá AYUVéDICO. essências aladas. fiquei espiando os modos como a cítara de ravi shankar avoam e luminam-me de citações ( qualquer dia mandarei à tua casa um pote dessas ervas ) e direi que estrelas te cruzam , e direi que teu verso tem a fluorescência do beijo escondido.

(Mario Cezar)

 

MATURI Novembro 24, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:54 pm

parte final

(…) quando o ônibus partiu mastiguei um longo vento amargo diante das lágrimas de mãe que lentamente se esfacelavam no cimento sujo da rodoviária

(Mario Cezar)

 

MATURI Novembro 23, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:40 pm

parte quatro

(…) duce e dalva apareceram vestidas de carmin , vistoso na beira do coração e de maneira acolhedora colocaram , sobre as alpercatas gastas, uma pequena flor de cansanção para eu suportar a vertigem da viagem até são paulo

(Mario Cezar)

 

MATURI Novembro 21, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 6:34 pm

parte três

(…) no dia quinze de março do ano noventa sai de casa com uma mala de pregos retorcidos. contendo quatro calças remendadas, um livro de dostoievski e uma banda de rapadura preta pisada com farinha caruçuda

(Mario Cezar)

 

MATURI Novembro 18, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:00 pm

parte dois

(…) o sonho das pétalas virava molambo na mão dos opressores. queria partir. estraçalhar a indigestão das lágrimas. receber o assopro de plantações distantes. na pequena icó(ce), não cabia o amanhecido perfume das cacimbas. o vôo da rolinha fogopagô, a infância das hortelãs, o sereno da noite.

(Mario Cezar)

 

MATURI Novembro 17, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 4:39 pm

parte um

meus olhos queriam cutucar os confins do mundo. não tinha cabimento continuar esfolando os pés no beco do urso. o coração desbotado pedia um rosário de esperanças para banir aquela infâmia. nos ricos sobrados da rua central , meu aboio era esfaqueado a olho nu.

(Mario Cezar)

 

DIGO. Novembro 16, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:23 am

teus olhos são
desse tempo

tem brilhos
e entra em acordo com a salmoura
( mais cruel )

(Mario Cezar)

 

SIM Novembro 15, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 4:10 pm

o encanto das
brasas
( também )
é minha

(Mario Cezar)

 

carece um batismo de fogo Novembro 14, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:05 pm

. o amor
é um
desencontro

(é mordaça. é um sem
fim)

vestido
feita as avessas.

desproteção
(para um iniciante, como
eu)

(Mario Cezar)

 

CONTOS SEXUAIS Novembro 14, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 1:57 am

(…) urge
.devasta meus territórios
. planta as
sílabas do precipício

(Mario Cezar)

 

de jura Novembro 13, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:54 pm

não mostre o que é seu.  é seu código. sua artéria de ouro
seu barco
             ( onde as borboletas cavalgam sem ânsia)
 
seu mapa tem o hálito da terra distante.
 
são
vestes
            da aurora

(Mario Cezar)

 

DESVALIDO Novembro 12, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 1:02 pm

leiluka:       
 
quanto ao meu poema
                     (apenas âncora)
inútil como uma carta extraviada

(Mario Cezar)

 

DUVIDO Novembro 12, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:11 am

nenhuma escrita
diz o
instante da flor

(Mario Cezar)

 

a CARNE é INSUBMISSA (como o poema é VÔMITO) Novembro 11, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:33 am

queria partir. estraçalhar a indigestão das lágrimas
receber o assopro
de
plantações distantes. quando o ônibus partiu
mastiguei um longo vento amargo
                                diante das lágrimas de mãe
que lentamente se esfacelavam no cimento
sujo da rodoviária

(Mario Cezar)

 

de QUANDO a VERDADE FAÍSCA Novembro 10, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 11:51 pm

quando digo cama
entenda
                priquito.
em relincho.
em fôlego.
em fenda
                      apartada no pau

(Mario Cezar)

 

asa miúda Novembro 10, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:02 am

… quando o café era socado no pilão de madeira cicatrizada( às três da tarde), o magneto da terra eriçava as miudezas do meu corpo de menino. vó dizia que o tremor da pele era o ronco da caipora protegendo o nascimento do sangue

(Mario Cezar)

 

FERRÃO Novembro 8, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:17 pm

robaro o mar. o amor. robaro o hálito da terra. robaro os atalhos. as encruzilhadas. os arcanjos. robaro as setes noites. noites e todos os candelabros. robaro o frescor das hortelãs. robaro aquele frasco de cinzas dormidas. robaro a melodia do gozo. ainda tenho a faca. serei trincheira. guardo estrelas antigas. tudo alumiado. meu açoite ninguém roba. é trigo alado.

(Mario Cezar)

 

É PARTE Novembro 7, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:07 pm

sou parte
da ventania
que alcanço 
 
(e me desperta)

(Mario Cezar)

 

nós dois Novembro 6, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:52 pm

somos da mesma

sílaba.

carne a carne

ofício de água  esquecida

(Mario Cezar)

 

ANTOLOGIA Novembro 6, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 1:27 am

posso concluir o

primeiro beijo

?

(Mario Cezar)

 

de chocalho Novembro 5, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:35 am

quem

argumenta melhor

do que a flor?

(Mario Cezar)

 

INSOLAÇÃO Novembro 4, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:28 pm

sempre perguntando:

- ei, o que é um gozo?

morreu cego

(Mario Cezar)

 

que o Novembro 3, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 5:12 pm

a ternura
é um
                  desencontro?

(Mario Cezar)

 

E AGORA? Novembro 2, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:50 pm

nunca me atrevi
as coisas
do amor

( nasci escondido )

(Mario Cezar)

 

NOVENA Outubro 31, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:57 pm

e o coração pedia um
simples
carinho aquecido
 
.              sobrevive?

(Mario Cezar)

 

ISTO É UM POEMA OU UMA CHIBANCA Outubro 30, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 6:47 pm

envio este poema  como quem

revela a primeira lição de

liberdade

(Mario Cezar)

 

MEMÓRIA Outubro 30, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:06 am

meu livro é

uma arquiteura

de

coisas esquecidas.

(Mario Cezar)

 

CREPÚSCULO Outubro 29, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:24 am

minha
terra é reduto
de
perfumes

(Mario Cezar)

 

aquele que não é Ícaro Outubro 28, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 4:25 pm

sou
composto
de pássaros.                          vôo em chamas

(Mario Cezar)

 

PERTeNCIMENTO Outubro 27, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:54 am

cresci nos quintais que sempre deram guarida ao pó das  coisas antigas
                                ,           como um pavio queimado ou um frasco de cinzas dormidas.

(Mario Cezar)

 

DEGOLADO Outubro 26, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 7:59 pm

depois devoro
a
mais profunda
                                   solidão do século

(Mario Cezar)

 

ARENGAR Outubro 26, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:20 pm

o olho não quer este naufrágio.   este escombro. já disse:  tua retina não é entulho     ou      raiz de escombros.               não.                             não deixe qualquer um fuçar.             as retinas são os primórdios da primavera                             contém  toda  história do barro.           todos os sonhos estão dentro.        nuvens de azulejos       e talha pássaros e fascina.                  vamos. o olhar é só teu e está pronto.             descubra-o.           veio nos versos que recebi (de ti) e me explodiu antes da tempestade  . vamos . teu idioma tem fagulhas , só encontradas nos girassois

(Mario Cezar)

 

DESACALANTO Outubro 26, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 12:40 am

última parte
 
naquele momento um engasgo de solidão,       um ronco de pus,                      um eco de vômitos,          um cabresto soluçante.        tudo    tudo  tudo  refugiou-se nos frágeis braços de dona Sinhora, que aos 84 anos continua  recolhendo
as piores 
rachaduras da vida

(Mario Cezar)

 

Vi Outubro 25, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:17 am

tua pele
disseminou
- se de flores

( infatigáveis )

 

(Mario Cezar)

 

DESACALANTO Outubro 23, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:12 pm

terceira parte

e na casa de dona Sinhora só uma porção de água salinizada plantou-se na fundura da dor o sangue perdera a mais remota ilusão os olhos eram restos de molambos esquecidos partituras queimadas. no piso de terra vermelha fica geraldo . tangido como se fosse uma lasca de lenha ou mais precisamente um graveto inútil

(Mario Cezar)

 

DESACALANTO Outubro 21, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 6:56 pm

segunda parte

no terreiro de barro enrugado as folhas do mandacaru se amontoam nas frestas da cerca encaliçada. no céu acinzentado, o derradeiro anuncio de poucas nuvens. tudo é fotografia de outra braba estiagem. enquanto um besouro sobrevoa um tamboreto , feito com couro de cabra, um homem (nome endurecido) se aproxima do batente de vara . nem sequer cumprimenta dona Sinhora. rude como uma chibanca invocada rebola geraldo. um morto recente (quando chegou os ossos estavam decapitados)

(Mario Cezar)

 

DESACALANTO Outubro 18, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 1:30 pm

primeira parte

na vila guassussê, distrito de orós ,na longínqua província do Siará, o pôr do sol surge inquietante. o calendário crava vinte de dezembro.
na rústica casa de dona Sinhora o escuro adentra a água do velho pote, que recostado na soleira da porta é o único tesouro da família.
dependurada num tronco de angico , uma enxada de cabo desgastado por vinte e tantos anos de seca , range parecendo um latido.
no teto, a cumbuca despedaçada se balança de acordo com a amargura do vento

(Mario Cezar)

 

manhatãbem Outubro 18, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 8:07 am

vagar
com
sede
.
nenhuma cacimba

(Mario Cezar)

 

de saudades Outubro 18, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:03 am

a saudade
, eita elemento bruto ,
transplanta para as retinas
uma coroa
de desgosto

(Mario Cezar)

 

como colocar um título onde me falta? Outubro 17, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:44 am

de onde vinha aqule fogo amestrado? aquele latido incandescente? olhos de cetins sutis. olhos pairando sobre meus escombros. era carnificina? era estrela a desmontar meu peito. galagando meus atalhos indecisos. sim. o que era aquilo? vou ter que me arrastar sobre aquela sobra. sobre aquele galope de faca rasteira. eu quero este aboio. este mel pagã. ou será veneno cru. até quando vou pernoitar com este nome , este novelo de sal?

(Mario Cezar)

 

À ELA Outubro 16, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 3:59 pm

entrego
um repertório
de carícias.
 
.
 
ao entrar no
mar
lavo a poeira do exílio

(Mario Cezar)

 

ORAÇÃO Outubro 15, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 2:43 am

teu sexo
é estrada alumiada.

inventário para bocas tristes.

teu sexo
reacende pétalas
perdidas.
é precipício
, dentro dos meus ossos.

(Mario Cezar)

 

MOÍDO Outubro 13, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 9:44 pm

naquela estrada o rosto é uma caliça. o sangue se desordena em contato com o quebranto. qualquer coração mingua, de tanto aperreio. tudo se retalha, como molambo. esperança
é ave
de arribação.

(Mário Cézar)

 

TERRA SANTA Outubro 13, 2006

Arquivado em: mario cezar — ana peluso @ 10:11 am

não. não migre.
aqui
o mar abençoa a carne
.
o beijo não teme
a
verdade

(Mário Cézar)