rasuras

9 meses de duos poéticos

A NÁUSEA Abril 1, 2007

Arquivado em: ana peluso — ana peluso @ 3:53 am

a flor que nasceu feia
mas flor
furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio
 
a flor se perpetuou
 
proliferou-se, pálida
em maldição
 
mora no mundo e nas casas
nas coisas e nas pessoas
 
esfumaça-se no éter
perpassa a argamassa, a carne, ossos
o coração
 
mente!
 
não ilude nem a um santo
 
e sem alarde
pétala ante pétala
faz-se objeto-
testemunho anarquista
do ódio de todos

 

7 Responses to “A NÁUSEA”

  1. uau!
    Nessa conversa com Drummond, fiquei sem fôlego…

    MUITO BOM, flor!!!

    Te beijo,
    Bia

  2. anapeluso Says:

    Bia, só a insônia me redime dos meus sonhos vãos.

    Beijo,

    Vou tentar dormir.

  3. Parece que esta flor é do Baudelaire…

    Beijão.

  4. tertu Says:

    boa semanapoesiasanta!
    abs.tertu

  5. “Não há nada de mágico ou de sobrenatural na estória da submissão feminina na sociedade patriarcal. No desfecho da fábula, a heroína é salva da morte e herda uma fortuna, porque reza e pede proteção divina. No conto de Perrault conhecido como Barba Azul, apesar de hoje excluído das histórias infantis devido à violência e também por não apresentar crianças como personagens, serve para delinear o premio e o castigo para o sexo feminino, tudo porque se trata de um casamento mal sucedido, pela prática bárbara do marido que matava as esposas e colecionava os cadáveres…”
    RUFO

  6. Ana Flor Says:

    meu Deus, meu Deus…!

  7. Lis Says:

    Muito profundo!
    Apreciei.


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